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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os prazeres do Don Juan


Dos remotos contos de fadas até os dias atuais, as pessoas sonham e/ou buscam alcançar grandes realizações, sobretudo no campo emocional, afetivo. E então, remete-nos as várias reflexões, arguições e questionamentos acerca do assunto, tais como: É possível encontrar alguém pela qual justificará a efetiva expressão: "Sou feliz"!? Ou seria pelo encontro com a denominada "alma gêmea", "cara-metade ou "metade da laranja" para a completa satisfação do indivíduo? O poeta e escritor português, Fernando Pessoa, já afirmava:

"Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um"
  
Os sonhos e fantasias estão mais presentes no imaginário feminino, mas nada impede que estejam presentes em ambos os gêneros. Afinal, quem nunca idealizou  A Bela Adormecida; sendo despertada após um longo beijo, Cinderela ou o próprio Príncipe Encantado de alguém? O fato é que todos, indistintamente, buscam preencher as lacunas do seu interior com o fito de se sentirem felizes e/ou realizados. Certamente, os contos de fadas e as lendas nos remetem positivamente as indagações e, consequentemente, as respostas.

Contudo, apesar de desejosos, não raras as vezes, depara-se com queixas, lamentações e desatinos atribuídos a essa desenfreada procura fictícia ou factual. E, então, encontros, desencontros, reencontros, desencantos ou mesmo frustrações ao se perceber como a "abóbora" do conto infantil, bem antes das últimas badaladas como anúncio de um sonho não realizado ou prenúncio e expectativas de novos a partir de outras oportunidades. Afinal, como dizia o humorista Chico Anysio: "A realidade é a ficção que não deu certo", muito embora o jornalista, escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues já parafraseasse o real e o imaginário.

Na sociedade destacou-se grandes romances pelos seus pares - ou seriam triângulos? A partir dos seus protagonistas históricos, mitológicos ou reais, a saber:

Menelau e Helena ou seria Helena e Páris? Napoleão e Joséphine ou seria Napoleão e Pauline Bellisle Foures? Júlio César e Cleópatra ou seria Cleópatra e Marco Antônio? D. Pedro I e D. Leopoldina ou seria D. Pedro I e Domitila de Castro, D. João VI e Carlota Joaquina ou seria Carlota Joaquina e ... ? Enfim, brincadeiras, ilações, devaneios e contextos a parte, mas os comportamentos justificam as personalidades, seja pelo imaginário ou realidade, movidos por sentimentos ou quaisquer outros interesses,  vai saber!

O poeta Vinicius de Moraes já escrevia: "É impossível ser feliz sozinho", mas como ser feliz se só um estiver desejoso? Bem, difícil responder. Para que haja felicidade recíproca, pressupõem-se existir pelo menos duas pessoas. Muitos preferem não arriscar. "Antes só que mal acompanhado", dizem os mais céticos!

E como compreender a máxima do gostar primeiro de si para depois gostar do outro? Bem, resguardando a devida proporção e razoabilidade neste contexto, torna-se fundamental que se queira primeiramente para depois o (s) outro (s), porém, genericamente, não se apresenta tão fácil assim, senão, vejamos:

Tomando por base a história do lendário Don Juan (de Marco) ou Don Giovanni como também é conhecido a partir dos livros, peças de teatro, filmes, óperas e em razão do comportamento do jovem sedutor que conquista as mulheres para em seguida abandoná-las, e com essa atitude a fugir do compromisso e/ou da dependência do amor que o envolve, cuida, protege, mas que para ele, escraviza e vulnerabiliza o indivíduo.

Parece paradoxal ou controverso, mas a história do comportamento desse personagem encontra escopo na análise de Sigmund Freud e do psicólogo suíço Carl Gustav Jung. Para o segundo, ele, teria um complexo materno que o impedia de libertar-se da dependência juvenil, visto que sua mãe justificava suas ações e mediava seus desejos, impedindo-o da independência natural, razoável, autônoma e objetivada quando da transição para a fase adulta. Como assim? Freud afirmava que o primeiro amor de um homem é a sua mãe, logo, necessário que esse "amor" se rompa ainda na adolescência, e seja ladeado com o de outra mulher e figura na de uma pretensa companheira.

Seria, então, Don Juan um doente? Bem, nada é tão ruim que não possa piorar, ou melhor, diagnosticar! Para Carl Jung, o lendário tem como característica a arrogância, a vaidade, se considera um grande amante, sedutor, galã e se sente melhor que os demais. O comum é se mostrar narcisista - paixão por si mesmo - pois não respeita os sentimentos dos outros, atribui muitos defeitos as mulheres com as quais se relaciona, não gosta de ser dominado, ao contrário, gosta dos desafios na conquista - quanto mais difícil, melhor - e o comum é se mostrar cruel ao abandoná-las, todavia  esconde um grande e verdadeiro complexo de inferioridade.

O interessante é que nesse tipo de comportamento, o indivíduo sente satisfação em deixar a sua "vítima" completamente apaixonada e o mais comum, a posteriori, é que faça alguma coisa para que esta o abandone. Assim, não terá e/ou sentirá nenhum remorso pelo fim do relacionamento, tampouco carregará consigo algum trauma pelo desfazimento da relação.

Ademais, para os estudiosos dos comportamentos humanos, esse tipo de indivíduo procurará incessantemente a figura perfeita, ideal e irretocável da sua mãe entre outras tantas mulheres, apresentando sintomas nitidamente de desajustes, psicopatia e/ou pouco condizentes que, em regra, o desviará da felicidade compartilhada dos verdadeiramente apaixonados.

Isso torna compreensível pela fundamentação teórica dos estudiosos e especialistas, quando se observa o processo da sedução desenvolvido por alguns indivíduos, assim como o sentimento de abandono, rejeição, vergonha e culpa, desenvolvidos por quem já vivenciou relacionamentos com alguém com essas características, eis que o natural esperado é o cuidar, zelar e preservar o que se conquista, e, logicamente, ama.

Na mesma linha de raciocínio, torna-se compreensível que tais comportamentos desemboquem noutros ainda mais complexos como os hodiernamente relatados de indivíduos que conquistam e seduzem mulheres, sobretudo em conhecidos sites de relacionamentos para lograrem vantagens, inclusive com extorsões e/ou suas equivalências culminando, em muitos casos, em violência muito maior, se é possível sopesar escalada, grau de prejuízo.

Em regra, terminam a sua vida literalmente sozinhos ou quando procuram alguém para se casar, o faz  com alguém com poucas afinidades, acompanhado de várias amantes e, preferencialmente, todas de nível cultural inferior para justificar o seu comportamento frio, egoístico, autossuficiente ou pela ausência de quaisquer sentimento altruísta em relação as suas parceiras, num único prazer: A conquista.

Assim, na dinâmica da vida, seguem...
vazios de afeto!
E então, consegue identificá-lo?

E mais:

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sincericídio!?

Fonte: Google Imagens
   
Somos ensinados ou mesmo educados, ao longo da vida, que devemos ser sinceros, falar sempre a verdade, não cometer os denominados "pecados", e aqui nenhuma ilação quanto aos méritos, especificidades ou justificações reais e/ou causais. Todavia, as consequências são inevitáveis quando, muito provavelmente, em razão da lavra discutida ou própria titulação e autor,  seja pelos riscos de nortear-se por atitudes sinceras, potencial e verdadeiramente como um  "homicida" - ou seria "suicida"?

Vale lembrar que a palavra-título é um neologismo, ou seja, a junção de duas  palavras (sinceridade + homicídio = sincericidio) na construção de uma terceira.  O homicídio pelo excesso de sinceridade. Resultado esse de muitos indivíduos serem preteridos ou postergados de algo ou de alguém em relação ao grupo ao  qual pertença ou não.

E sob esta ótica, não se pode desprezar as questões idiossincráticas e culturais, cujos valores trafegam entre escolhas ou inversões de valores, verdades ou mentiras como satisfação de ideologias, logicamente numa seara onde se distanciam das dominantes.

Assim,  tem-se em regra, crianças sendo observadas como criaturas simples, puras, ingênuas, e que falam sempre a verdade, logo, sendo as mais sinceras em seus posicionamentos acerca de algo ou mesmo quando questionadas. E o comum é a expressão: "Criança não mente", ou seja, a criança é a própria representação da pureza e inocência. E, então, a pergunta: Estaria ela, cometendo um ato homicida ou suicida? Certamente, não! O que não as tornam razoáveis e tão "puras" quando adultas, eis que algumas mudam de atitude pela ação ou omissão para serem, supostamente, aceitas pelo grupo social  em detrimento das condições apresentadas por ambos.

O grande norte-americano Martin Luther King afirmava: "Para se criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa". Estaria o líder ativista político estadunidense ratificando, pela sua frase, o que se constata na dialética social? Estaria o homem omitindo a verdade, estrategicamente?  Bem, certamente induz-nos a reflexão!

Desta forma, é muito provável que o profissional,  e pelo qual tornou-se até caricato, seja chamado de "chato" por defender o seu ponto de vista pautado pela sinceridade. Aliás, objeto inclusive de um quadro humorístico da televisão, "o super-sincero", mas que ganhou conotação piegas, senão,  uma crítica bem humorada ao comportamento em sua generalidade.

Em recente entrevista, o então publicitário argentino Pablo Nobel,  e escritor de livro-título, reafirmou: “Eu pratico sincericídio isso quase que diariamente. Quando você fala a verdade, está respeitando o outro”. Nascido em Buenos Aires, Pablo está no Brasil há 33 anos. Constante alvo de piadas, ele disse que sofre muito preconceito por aqui e está pensando em lançar o movimento “adote um argentino” ou “leve um argentino para casa”.

Outro exemplo ilustrativo é o caso da blogueira cubana Yoani Sánchez e a singular recepção dispensada a esta quando em recente visita ao Brasil, mais especificadamente iniciada na Bahia, Pernambuco e São Paulo, cerceada pelas severas críticas desta ao governo e regime cubano - leia-se, o de Fidel Castro e seu irmão-sucessor Raúl Castro.

Cediço é, pois, maior análise e reflexão sobre a história de Cuba - único país latino-americano que defende o Socialismo como forma de governo, mas que se mostra sobretudo vitimizado pelo bloqueio econômico norte-americano a justificar suas mazelas.

Nota-se que mesmo o Brasil, cuja  Social Democracia, e princípios,  baliza o sistema e seus métodos, sequer, teria concedido aquela blogueira o amplo direito da liberdade de expressão, ou mesmo a livre manifestação da opinião e pensamento, garantidos pela Constituição Federal. Obviamente, pela intolerância de alguns grupos contrários e/ou reacionários ao seu posicionamento e/ou visão ideológica.

Nesta perspectiva, tem-se também as várias inferências culturais e, portanto, outras visões acerca das formas, regras, costumes tradições de um povo. E, ao confronta-las, tem-se o outro como obsoleto, antiquado, retrógrado, chato. E isso tornou-se latente, sobretudo de um continente em relação a outro. E muitos ariscariam pelo histórico, e diriam: "Herança colonial". Será? Isso faz-nos repensar acerca da assertiva. Quando se fala a verdade, prioriza-se sobretudo o autorrespeito. Cria-se ou recria-se na sociedade aquilo que se idealiza ou deseja.

Neste diapasão, tem-se as piadas, críticas, discordâncias de uns sobre outros - do português aos argentinos, ou do brasileiro em outros territórios  e acolhida de uns em relação a outros. E muitos diriam: "Malditos latinos!"

O certo é, pois, buscar-se o equilíbrio, respeito, disputa saudável as diversidades, inclusive nas de opiniões e atitudes diante da vida, sob pena de se resvalar em clima de animosidade, real beligerância, intolerância e/ou violência desnecessária diante do semelhante.

Afinal, o importante é ser verdadeiro e sincero naquilo que se acredita, não importando em quais circunstâncias, manifestamente resguardando o bom-senso de causa e efeito, mas sempre em defesa da contribuição, participação e construção do diálogo na busca das soluções, evolução e crescimento de todos.

E, então, qual o seu parecer sobre o assunto?

Opine!!! 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

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